terça-feira, 15 de fevereiro de 2011


Da sanidade cultivo os pulsos férteis e santificados, sem peste covarde a debulhar a lavoura viva

Espero resistir os próximos corvos, pois da frequência tiro conclusões em meu roto traje de espantalho

Me reservo para evitar o próximo plantio.

Que venham os próximos amores e chegados sejam breves, temporais pois do desgaste transitório aprendo que nada deve ser fixo, tudo deve seguir seu fluxo e constrange os que querem apreendê-lo

onde deitou-se amor pode instalar diferenças e dessa pouca constância concluo que o amor em sua hipérbole é vago e contraditório exige muito asseio e atenção, não dura sem uma vigília constante não sobrevive a caráteres dispersos

Até a saudade que rasga a alma e faz rede dentro da memória veraneando sem pressa alguma de ir embora só está de passagem mesmo marcando ela se contamina pela engrenagem dos dias

Na virada do ano e na virtualidade dos amores que se foram, fica esse incomodo espectro do que se quer e não mais esta, acabamos idealizando na tentativa vã de conter os grãos matérias que escorrem pela ampulheta

sábado, 12 de fevereiro de 2011


Mansos olhares sem urgência

salsugem mornal sobre a pele a salgar, curtindo e pigmentando a beleza pacifica

horizontes despidos

olhos seduzidos aplaudem a certeza que a memória reteve cada por de sol

da audição musical ficou ecos embalados com zelo de retenção

a urgência voa

o trabalho fica em segundo plano

a saudade se esvazia

sol visto de pálpebras cerradas, finíssima membrana quente, vida que jorra contornos avermelhados no verão carioca

oraculo carioca de Delfos com suas ninfas e pitonisas anuncia um Apollo solar, que descortina as consciências arejando de luz a mente na brisa marítima

a vida se refaz espontaneamente generosa

o sorriso pousa no rosto satisfeito do existir

o semblante acalma na tribo nascente nestes dias fluorecentes

colore tudo de simplicidade

o corpo lançado cortando o mar, lavando a alma com unguento batismal selando a estação

a sintonia é imediata otimizada no trato fino

camaradas se aproximam com franqueza na palma do comprimento, comentando a vastidão de mulheres que o segundo olhar se retem para na próxima bela festejar o divino feminino, de beleza em beleza vou catalogando joias agradáveis

parte a parte o dia se faz DEUS fundindo homens, natureza e urbanidade em um sonoro aplauso de gratidão solar!






Romã


bem temperada ela caminha sobre a cidade

com o olhar mais evidente da estação emoldurados eles deslisam calmos e acolhedores

não faz distinção, arruma espaço para todos os que estendem saudações

carrega plumas nos pensamentos

parece ter ideias nuvens

como noiva de chagall flutuando aos céus

transfigura palavras em gestos

que adquirem compreensão clara

limpa de extravagancias jorra luz translucida pela armação dos óculos

eu observador em mirações deixo-me rastro contemplativo

fico parado ao lado do querer esperando o giro completo da vista

no nome o selo do exotic

na postura, ave de plumagem simples de cores transparentes ecolineas

meu vitral de verão, claraboia matizada que filtra com sua aparência meus dias mornos

te ver arrastando sandálias lentas pela cidade me acalma

a voz foi pouca e fatalmente total

você causa efeito!

Me lança melhor no mundo

inspira no sincopado do sorriso

sábado, 15 de janeiro de 2011

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010






O comedimento grita sussurrando

O sussurro disfarça com pausas o sem jeito do estar

Lá vai ela se acumulando em molhos de córregos para desaguar no sorriso embaraçado, seu jeito mínimo!

Tenho de ter dedos na fala pra dizer com cuidado

Cuidado que não se esforça, deita sombra sobre a paciência e adverte o sol abrasador da urgência

Um trava corpo desajeita o abraço, que já de laço, da voltas abraçando pano pra manga, no colarinho tenta insígnia de discrição

Oculto nela, em mim culto em devassidão!

Amarro os lábios pra soltar na esperança louvores de futuro arrebatamento

Recato antigo de Ceci, disposto diante de um Macunaíma que flechado por tupã que cai polido como Peri

Na pele uma constelação que arde galáxia, divina digital estelar! Que marcou de uma Seuratiniana impressionista o luminoso céu ruivo. Eu tonto uivo tentando tecer uma astrologia que forneça um mapa astral que me ponha ascendente em virgem

À deriva sobre esse calmo e imprevisível mar, vou com dedo a riste catalogando e batizando com Deuses gregos cada sinal de terra firme, para desembarcar e estabelecer morada sobre uma terra que emane leite e mel

Como Salomão te canta com sagrado velar, esse alaúde sagrado que soa por entrelinhas é a nota que ando buscando pra compor o louvor que mexa seus trigais avermelhados

Vento brando sopro pra disfarçar tornados submersos e subentendidos

Pergunta que vem resposta perguntada, revela ação do estar disposta, e de quando enquanto a seguir vamos de leve dançando com a musica mais apropriada para festejar o alvorecer

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


Movem-se as placas constituindo novas geografias

O terreno adquire nova topografia

Da tranqüilidade linear das sísmicas previsíveis, levanta-se o leviatâ,revolvendo a placidez das águas estagnadas

Vou aos poucos migrando nômade da zona de conforto para um lugar que extrai em mim a dinâmica atrofiada, azeito o charme esquecido no espelho e lubrifico a malicia afiando a língua

Mas ao sair da intervenção bélica, trago a terra arrasada embutida e cavo trincheira em pleno estado de paz

Com a paranóia dos sitiados armo estratégias de fuga, ataques e defesas

Acabo fazendo do abrigo do feriado languidez de luto, tendo espasmo de por vir

Ainda choro a falta do colostro afastado

Na centrífuga choro as mesmas lagrimas, matriz de todas as dores escorre pelo mesmo canal

Hoje se revela o corte suplicante de sutura e na saturação da dor, amanhã poderei dormir cicatriz fina

Empilho espinhos em um canto e aos poucos desembaraço o fio espinhento diante do luminario, o tempo vaza para fora da dor, mais seu visgo me prende pelos lábios e céu de carne

O luto tem uma melancolia santa que mistifica a chaga em vernáculos vulgar nas mais bem elaboradas intenções poéticas

Gira o tabuleiro, mas as peças continuam as mesmas, cartas se blefe, vitória sem laureados, enfio o pé na espera do sudoeste com seus ventos purificadores