terça-feira, 5 de maio de 2009


Lobo da estepe

Os opostos se atraem, mas não se completam.

Outro dia me joguei de dentro de meu corpo, No lado esquerdo de fora, vi como não regulo os canais do espelho.
Da extremidade assimétrica se vê o oposto que na dobra não se corresponde com a parte que me cabe
Em desdobramento distanciei-me a ponto de tornar-me miragem de mim mesmo
Caduco distante do outro do que sou puxei ancora, puxei cordas, arrastei corrente, belisquei-me porem ouvi o grito de minha voz reverberando na boca de baixo espelhada do vallet.
Percebi que o meu mal afeta em ondas concêntricas as margens opostas
Então não podia ver precipício, que me atirava frouxo.
Testava o limite do EU lá fora
Em uma morna satisfação me gloriava de ter extirpado o lobo que me sugava o leite quando fui dobrado ao meio pela metade esquerda que julgava morta
Mordia o anelar me doía o indicador, martelava o joelho sentia fortes dores na cabeça, arranhava o peito apareciam vergões nas costas.
Eu vodu de mim mesmo
Percebi o equivoco, e com leves caricias acalmei meu lobo, que jorrou de fora pra dentro
Percebendo a carapuça ele arrojou contra o peito forte fuga, caímos juntos sentindo a mesma dor cheia de conformidade e incompletude.

sábado, 18 de abril de 2009


Um salto de carpa que em sua velocidade submerge e emerge quebrando o espelho dàgua
Desnuda a maciez da substancia que envolve sua existência
Jogo pela pupila uma matéria abstrata que cobre todas as angustias secas que dividem a alma
Um ser que não lacrimeja sua dor, seca e despe o seu terno em uma sombra noturna onde suas idéias são embaralhadas por corvos

Um único salto contra a matéria que me envolve quebrara o invólucro
E libertara o éter para a anulação total

Patético!
Covarde!

Sombra que não reluz mais apreende com força os objetos
Cobrindo com nanquim aguado a ilustração
Cravo dentes contra dentes e goteja saliva entre gengiva e céu
A língua pressiona as marcas contra o goto
Engasgado em saudades sinto o salobro

Uma cadeira sentada no sofá em meio a uma silenciosa mobília
Em conferencia na ponta do vértice o acento acomoda cinzas na beira da vertigem
Circunspeto o espelho jorra vida para dentro do espectro luminoso
Aspirado pela calha desço do quarto andar com pesar
Quem contempla em estado de guarita a sala vazia
Desce, vem atar o laço nos passos públicos.
Leia, pense e depois queime sem deixar rastro na pele do tapete do corredor concreto.
Giro com a ponta do dedo direito como apoio, um pé de cadeira se apóia no chão, com a palma da mão esquerda embalo um giro com distração.
Que vigília frouxa, que permite compactuar cadeira e vértice.
Melhor que amor só paz! , discorre o refém enquadrado fullscreen no silencio da luz.
Com magra sandália através das fendas vejo se perder um pouco de imagem, adquirindo desfocada calma.
Cadê a dançarina persa que quebrou o jarro da Macedônia?




Saia de traz dessa maquineta
Venha com olhos nus constrangedores sem etiqueta
Aqui de fora a vejo mesmo omitida do seu próprio ponto de vista.
A vista ou a prazo, omitida ou permitida aqui na foto a varejo na mesa.
De qual lado mostrara o segredo? Sua cara ou coroa
O reinado o tempo que roa, a cara trará o lado esquerdo de sal.
Olha o passarinho passara rápido fica atenta
Lenta não ficara pertinho do rapto do xis, colha!
Colha no pé todos os frutos antes
Bem cedo antes que todas as musas de fé deixem só folha


Tu enceravas o chão com Straus ao fundo, pendurada em balões adquirias leveza Hélida,...quase não tínhamos asas em casa, mais ao simples hálito de brisas amarrávamos balões nos ombros e sacudíamos o dia inteiro como pingente de vaidade ,...longos e mornos como se estivéssemos acordando
Um belo vôo de pardoca travessa atiça núpcias em qualquer hora, mobiliando a mente de afrodisíacos para deitar em sudários de linho o mais belo ninho
Enxames de fadas a constelar-se, um nascer de galáxia que aponta rumos informais à órbitas epidérmicas, mapa de reverberações, guias, sinais imediatos de um querer urgente, conduzido pelos fatos me ponho a ladrar, terreno como cão, para um segundo depois ser alado em vôo de estilingue pupergue
Mais voltamos ao baile valses, talvez o ultimo baile da ilha fiscal fosse inspirado pelo bailado dos casais entre guerra e paz, que Tostóy construiu com meridianos precisos sobre um tabuleiro musical, cada casal em sua órbita girando rodando e transladando-se um após o outro
Você, precisa, elegante, flamingo de parentesco cisnes, arquejava como debruçando sobre os aplausos, erguendo a ponta do vestido entreabrindo um suspense, vestígio aparente de por vir.
Um pendulo oscila em um vai e vem de continua simetria, quando voltais do vôo apossas frondosa acolhendo o espaço que lhe cabe na superfície, desce como Mary Poppins flutuando com guarda-sol

Tulipas às avessas

Lindas flores balanceadas pelo coração
Giram para direção dos meus raios de se-mi serrada retina
Talvez duas tulipas invertidas
Com pólem as avessas
Alimentam sentimentos reais de abelha em pleno gozo de majestade
Sim!
E por essa colméia que lhe escorrem palavras doces pelos lábios
Essas flores que saltam seus decotes montadas por vontades hípicas
Clareiam o olhar de Frida diante da tela
Aroma sentido no paladar irrequieto
Tulipas de balanceado sincopado
Que torce meu olhar ao acompanhar sua coroação
Escapolem impacientes e rosam meu peito com um traço que não se apaga
Poço agora percorrer o caminho por onde eles me riscaram

Visão do Brasil

Pensamentos em altares com sírios
Uma palavra pensada com aureola contida em pequenos círculos
De uma embarcação o poeta lança anzóis em limbos
Apreende palavras que trazem tentáculos de uma frase submersa em rios
Ricos ramalhetes de algas acolhem idéias encobertas em nichos
Tesouros de caldas escamadas como alfaias enfeitadas
Sibilam em néon por entre vitória regias remada por índios
Ribeirinhos febris de morno olhar idílico rastreiam silabas para apurar os ritos
O boi anda em sincopado com chifres de bronze de luz em fios
Bordados de paetês transcrevem para lança de são Jorge lindos livros
Oxum dança com botos e tem com ninfas iaras em coros soluçantes conduzidas sobre cornucópias de lírios
Trintões negros de uma áfrica submersa cavalgam jacarés hirtos
nas folias zanza com palhaços acrobatas com gosto cítricos no olhar
No zabumba encarna o cordel em meio a um circo de bandeirinhas pintadas por Volpi em festa de são João
Lá no topo do mandacaru
Erguida por anjos aleijados uma flâmula tesa roga por nos
Pisca palavras contidas na boca de repentistas de face hibrida
Sinhá vitória abraça Maria bonita que pede silencio a lampião e Fabiano ajuntando baleia aos braços
Dispeden-se do pintor com promessas de rogar por nós da terra do sol em transe com Deus e o diabo ao derredor
De resto o tilintar dos sinos